{ reflexão semanal }

Newsletter nº36 / 2020

Uma Atmosfera de «Abrasão Criativa»

por Robert J. Tamasy

Recentemente, li nas redes sociais os comentários de Tim Kight, consultor de empresas. Nunca o conheci pessoalmente, mas apreciei o seu modo de pensar prático e directo. Aquilo que ele publicou falava do poder da «abrasão criativa. Por outras palavras, o valor da discordância.»

Kight acrescentou: «Quando temos perspectivas diferentes e entramos num processo de abrasão criativa para testarmos e refinarmos as nossas ideias, produzimos soluções melhores.» As suas observações são tanto antigas como novas — especialmente para os nossos dias, em que parece que dispensámos ou até abandonámos a arte da discussão cordial.

Muitas universidades, por exemplo, têm vindo a criar «zonas de segurança», onde os estudantes podem estar sem medo de verem ou ouvirem pontos de vista que difiram dos seus. Isto é aprender? Não ver as ideias desafiadas? Com protestos e tumultos a acontecer em diferentes partes do mundo, torna-se claro que toda a gente fala — e até grita —, mas ninguém ouve.

Mesmo em relação à pandemia do coronavírus, têm surgido várias opiniões e perspectivas. Porém, em vez de aplaudir a livre troca de ideias, a comunicação social e os políticos têm largamente vindo a desencorajá-la — e, aparentemente, em detrimento de todos. A «abrasão criativa» é vista como uma coisa de outro mundo, um conceito a ser temido e não adoptado.

Contudo, este tipo de fricção era algo que eu já valorizava, mesmo antes de conhecer o termo de Kight, especialmente durante os meus anos como editor de jornais e de uma revista. Nas reuniões da equipa editorial para planear futuras edições, todos nós tínhamos ideias diferentes. Permitíamos que elas fossem apresentadas e, então, discutíamo-las e debatíamo-las. Neste processo, descobríamos invariavelmente que o todo (o produto final) era maior que a soma das partes (as contribuições individuais).

É triste saber que a abrasão criativa não é apoiada em muitos ambientes, dado que dificilmente se pode considerá-la uma ideia nova. Na verdade, a Bíblia defende-a vigorosamente. Considere as seguintes passagens:

A FRICÇÃO É MUTUAMENTE BENÉFICA . Imagine as lâminas de duas facas a serem friccionadas, uma a afiar a outra. O mesmo acontece com as pessoas, seja num ambiente de trabalho, num casamento, num ministério ou numa equipa desportiva. Promovendo o atrito entre as pessoas, mesmo com algum conflito civilizado, podemos tornar-nos melhores uns aos outros. /«Como o ferro com o ferro se aguça, assim o homem afia o rosto do seu amigo.»/ (Provérbios 27:17)

O VALOR DE PONTOS DE VISTA DIFERENTES. Em casos judiciais, solicitam-se normalmente testemunhos de diferentes pessoas, para que o juiz ou o júri possa receber um relato completo e exacto. Semelhantemente, podemos estar convictos da nossa opinião ou do nosso ponto de vista, mas, se estivermos dispostos a ouvir outras
perspectivas, podemos descobrir que estávamos errados — ou que a melhor solução é uma combinação de várias ideias. /«Não te apresses a litigar, para depois, ao fim, não saberes o que hás-de fazer, podendo-te confundir o teu próximo.»/ (Provérbios 25:8).

A CORREÇÃO  PODE SER ÚTIL. O orgulho pode ser um grande obstáculo à prossecução do sucesso, especialmente quando nos sentimos seguros de
que temos razão, seja nos pensamentos ou nas acções. A «abrasão criativa» pode provocar alguma dor, mas, no final, damos por nós normalmente melhores por causa dela. «/Como pendentes de ouro e gargantilhas de ouro fino, assim é o sábio repreensor para o ouvido ouvinte.»/ (Provérbios 25:12).

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“Como o ferro com o ferro se aguça, assim o homem afia o rosto do seu amigo.” Provérbios 27:17

Reflexões da Semana é um serviço da ASPEC – Associação de Profissionais e Empresários Cristãos, em colaboração com “CBMC International”. Para mais informações não hesite em contactar-nos.