{ reflexão semanal }

Newsletter nº39/2022

TEM UM PLANO DE SUCESSÃO?

por Robert J. Tamasy

Muitas pessoas bem sucedidas têm prazer em poder ver e avaliar o que foi realizado sob a sua liderança. «Não poderíamos passar sem si!» e comentários semelhantes podem massajar os nossos egos, enfatizando a nossa importância para a missão da empresa ou organização. O problema é que, embora possamos parecer indispensáveis, chegará o momento em que não poderemos continuar a fazer o trabalho — seja devido a recebermos uma promoção, aceitarmos um novo emprego, reformarmo-nos ou mesmo morrermos. Quem irá então fazer o trabalho, se ainda valer a pena fazê-lo?

Conheci líderes empresariais que eram tão centrais no que a sua empresa fazia que, depois de saírem, o trabalho não pôde continuar. Eram como a carta do fundo de um castelo de cartas — quando foram removidos, o «castelo» desmoronou-se. Não tinham um plano de sucessão viável.

O maior teste de liderança eficaz, disse muitas vezes um amigo meu, é o que acontece quando o líder se ausenta. No seu livro, De Bom a Excelente (Good to Great: Why Some Companies Make the Leap… and Others Don’t), James C. Collins explorou as características das empresas que não eram apenas boas no seu desempenho geral, mas grandes. Apesar de a sua equipa de investigação ter procurado descobrir factores que não envolvessem os principais líderes, aperceberam-se de que os principais executivos não podiam ser ignorados. Mas não pelas razões que poderíamos esperar.

Collins escreveu: «Os líderes que vão “de bons a excelentes” nunca quiseram tornar-se heróis maiores do que a vida. Nunca aspiraram a ser colocados num pedestal ou a tornar-se ícones inacessíveis. Eram, aparentemente, pessoas comuns que produziam discretamente resultados extraordinários.» Estes líderes tinham grande visão e determinação, mas eram rápidos a reconhecer o talento individual e a delegar responsabilidades para permitir que as pessoas sobressaíssem.

Ao longo da história, vemos exemplos — bons e maus — de líderes que compreenderam ou ignoraram a importância de ter um plano de sucessão. A Bíblia não é excepção. No Antigo Testamento, Moisés foi escolhido a dedo por Deus para conduzir os israelitas para fora do cativeiro egípcio em direcção à Terra Prometida. No entanto, quando o seu tempo de peregrinação estava prestes a terminar, Moisés passou o bastão de liderança a Josué. «E Josué, filho de Num, foi cheio do espírito de sabedoria, porquanto Moisés tinha posto sobre ele as suas mãos; assim, os filhos de Israel lhe deram ouvidos e fizeram como o Senhor ordenara a Moisés.» (Deuteronómio 34:9).

O profeta Elias tinha realizado muitos milagres, sendo usado por Deus para confrontar o rei Acab e centenas de falsos profetas dos deuses pagãos. Mas quando o seu tempo de serviço estava a chegar ao fim, ele passou muito tempo a preparar o seu sucessor, Eliseu. Quando Deus levou Elias ao Céu, Eliseu estava pronto para assumir as responsabilidades de profeta. «Também levantou a capa de Elias, que lhe caíra; e voltou-se e parou à borda do Jordão.» (II Reis 2:13).

Jesus Cristo é o maior exemplo de um líder com um claro «plano de sucessão». Após a Sua ressurreição, Ele passou mais 40 dias com os discípulos que tinha estado a preparar durante três anos, 24 horas por dia. Depois, antes de ascender ao Céu, Jesus confiou a sua obra aos seus seguidores mais próximos: «Portanto, ide, ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado […]» (Mateus 28:19-20).

O trabalho que faz todos os dias também é importante — e esperamos que esteja determinado a fazê-lo com a maior diligência possível. Mas chegará o dia em que já não estará presente para realizar o trabalho. Quem lhe sucederá?

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“E Josué, filho de Num, foi cheio do espírito de sabedoria, porquanto Moisés tinha posto sobre ele as suas mãos; assim, os filhos de Israel lhe deram ouvidos e fizeram como o Senhor ordenara a Moisés” Deuteronómio 34:9

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