{ reflexão semanal }

Newsletter nº41/2021

SOMOS TODOS CULPADOS DE NÃO CONTAR A VERDADE NO TRABALHO?

por Robert J. Tamasy

Quando é que o local de trabalho vai voltar ao normal — ou se alguma vez vai voltar — é impossível de dizer. À medida que as restrições pandémicas foram sendo colocadas, muitas pessoas deram por si a trabalhar a partir de casa. Isto é, se de facto estiveram a trabalhar. Algumas pessoas encontraram no «local de trabalho doméstico» uma mudança apelativa: passar mais tempo com a família.

Uma das baixas deste «novo normal», contudo, tem sido um declínio nas interacções directas, pessoa-a-pessoa. Inovações tecnológicas como o Zoom, o Skype, o FaceTime e outras ajudaram a preencher a lacuna, mas não há nenhum substituto para a comunicação espontânea cara-a-cara, olhos-nos-olhos — parar junto à secretária de um colega para comparar apontamentos sobre um projecto, ou simplesmente para falar sobre banalidades.

Às vezes isso envolve apenas encontrar alguém e dizer «Olá! Como estás?», sorrir e continuar a andar para onde estávamos a ir. Esta é uma troca habitual e cordial, mas demasiadas vezes superficial, sem intenção de trocar qualquer informação real. Talvez seja por isso que a falecida escritora e activista Maya Angelou escreveu: «Quando as pessoas perguntam: “Como estás?”, tenha por vezes a coragem de responder com verdade.»

Pense nisto: quando as pessoas dizem: «Olá, como está?», quantas vezes faz o esforço de lhes responder, explicando honestamente como está? Ou, invertendo os papéis, como reagiria se alguém começasse a falar-lhe acerca das suas lutas, dores ou frustrações?

Podemos dar a desculpa: «Bem, estou apenas a ser educado. Eu digo olá, mas não quero mesmo saber como é que alguém está.» Eu próprio já fui culpado disso; lembro-me claramente de uma altura em que estava a assistir a uma conferência. Ao encontrar um amigo que não via há muito tempo, eu disse: «Olá, (Pete)! Como estás?», mas fiquei sem reacção quando o «Pete» começou a responder à minha pergunta. Depois houve alturas em que as pessoas me perguntaram o mesmo, mas a sua linguagem corporal mostrou-me que não queriam realmente saber como eu estava.

Há uma canção que já ouvi muitas vezes e que fala sobre este assunto. Como diz o vocalista: «Verdade seja dita, a verdade raramente é dita.» Colocamos sorrisos que mascaram a tristeza, o medo ou a dor com que possamos estar a lidar. Respondemos: «Estou bem» — mesmo quando não estamos. É certo que nem sempre podemos ter tempo para ouvir os problemas de alguém ou partilhar os nossos, mas não deveríamos fazer mais para reconhecer o lado humano do trabalho — o lado para além dos prazos, dos objectivos, e das questões financeiras?

Este é um tema recorrente nas Escrituras, sublinhando a importância de oferecer compaixão uns aos outros nesta luta diária a que chamamos «vida quotidiana». Por exemplo, 2 Coríntios 1:3-4 diz: «Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, […] que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados de Deus.» Talvez uma razão para as adversidades que enfrentamos seja tornar-nos capazes de sentir empatia com outros que enfrentem desafios semelhantes.

Outra passagem oferece esta exortação: «E consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras, não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns; antes, admoestando-nos uns aos outros […]»  (Hebreus 10:24-25).

Quando — e se — retomarmos as rotinas familiares de trabalho no escritório, talvez devamos esforçar-nos um pouco mais para responder com verdade quando alguém nos perguntar: «Como estás?»

Partilha esta Reflexão

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, […] que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados de Deus.” 2 Coríntios 1:3-4

Reflexões da Semana é um serviço da ASPEC – Associação de Profissionais e Empresários Cristãos, em colaboração com “CBMC International”. Para mais informações não hesite em contactar-nos.