{ reflexão semanal }

Newsletter nº33 / 2020

Será que tem de ser cada um por si?

por Jim Mathis

Ao procurarmos ganhar o nosso sustento no mercado de trabalho contemporâneo, será que a nossa atitude deve ser «cada um por si» ou, antes, «estamos todos na mesma equipa»? Esta pode ser uma das questões fundamentais da sociedade. Um princípio básico do capitalismo é o de que cada um deve correr a sua própria corrida. Até mesmo na Bíblia, o apóstolo Paulo usa a corrida como uma metáfora para a vida. Em I Coríntios 9:24, ele diz: «Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prémio? Correi, de tal maneira que o alcanceis.»

Lendo isto, parece que ele está a dizer que cada um de nós deve correr a sua própria corrida, sem se preocupar com as outras pessoas. Mas será que é isso o que ele quis dizer? Na maioria dos países industrializados, aproximadamente ao longo dos últimos 200 anos, as pessoas têm sido encorajadas a preocuparem-se consigo mesmas. Estamos a falar em termos de responsabilidade individual: se alguém ficar para trás, o problema é dessa pessoa, e não nosso.

Infelizmente, esta atitude tem resultado em todo o tipo de maldade. Tudo, do racismo e da escravidão aos créditos «predatórios», tem acontecido em nome do capitalismo e da compreensão generalizada do laissez-faire — uma questão de cuidar apenas de si mesmo. Até mesmo os cristãos usam geralmente a expressão «relacionamento pessoal com Cristo», que sugere que se trata de algo apenas entre nós e Jesus.

Todavia, uma compreensão geral do ensinamento de Jesus mostra-nos o oposto. Provavelmente, estamos a levar longe demais a metáfora de Paulo sobre a corrida. Por exemplo, em Hebreus 10:24-25, vemos uma advertência para estarmos juntos em espírito de unidade e cooperação: «E consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras, não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros, e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia.»
Viver em comunidade e ajudarmo-nos uns aos outros é fundamental para todos os que desejam seguir a Cristo. Sabemos, com base em Actos 2, que a igreja primitiva levava isto a sério, e vemos muitos exemplos de crentes que se ajudavam mutuamente, até mesmo materialmente, para que ninguém do grupo passasse por necessidades.

Por outras palavras, em vez de «cada um por si», a sua convicção era «estamos todos na mesma equipa». Nas equipas desportivas, se um jogador insiste em marcar todos os pontos, não passa a bola aos outros ou se recusa a ajudar a equipa, esta acaba por perder. Quando a equipa perde, todos os que estão nela perdem. Se a equipa vencer, todos os jogadores recebem a glória.

Muito se tem escrito acerca dos benefícios dos relacionamentos fortes. As pessoas são mais saudáveis, vivem mais e são geralmente mais felizes se tiverem amizades fortes que sejam benéficas à ajuda e ao encorajamento mútuos.
Pessoalmente, uma grande mudança que aconteceu quando eu decidi seguir a Cristo foi deixar de ter uma existência egocêntrica e passar a ter uma vida centrada na comunidade. A minha vida mudou drasticamente para melhor quando deixei de me preocupar apenas comigo mesmo e passei a descobrir formas de ajudar os outros, com um sentido de comunidade. A vida passou de um desporto individual, como uma corrida, para um desporto de equipa, em que se trabalhava para benefício mútuo.

Não existem «lobos solitários», porque até mesmo os lobos vivem em grupo — numa comunidade — para ajudar toda a matilha a prosperar. Enquanto seres humanos seguidores de Cristo, somos chamados a estar na mesma equipa, lutando para tornar o mundo um lugar melhor. Esta é uma forma de darmos glória a Deus.

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“Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prémio? Correi, de tal maneira que o alcanceis.” Coríntios 9:24

Reflexões da Semana é um serviço da ASPEC – Associação de Profissionais e Empresários Cristãos, em colaboração com “CBMC International”. Para mais informações não hesite em contactar-nos.