{ reflexão semanal }

Newsletter nº38/2021

QUANDO O BOM É INIMIGO DO ÓPTIMO

por Ken Korkow

Já alguma vez reparou que, às vezes, fazer coisas boas é a coisa errada a fazer? Quando o Titanic foi abalroado pelo iceberg, os zeladores do navio eram bem capazes de estar a preparar-se para lavar o chão, mas uma coisa boa como esta não era aquilo de que se precisava naquele momento.

A vida apresenta-nos muitas «coisas boas» que podemos fazer para com elas ocuparmos o nosso tempo, a nossa energia e os nossos talentos. Podemos dizer que não há nada de errado em fazer coisas boas — a menos que elas nos impeçam de fazer coisas melhores. No seu devocional «Tudo Para Ele» (em inglês, My Utmost for His Highest), Oswald Chambers constata, em várias das suas meditações, que «o bom é inimigo do óptimo». O tempo e a experiência têm vindo a ensinar-me que ele estava correcto.

No mundo profissional e empresarial, encontramos sempre boas coisas para fazer. Mas, se quisermos que as nossas vidas — e os nossos trabalhos — importem realmente e façam a diferença na vida das pessoas em que tocamos todos os dias, seria sábio aprendermos a distinguir as coisas meramente «boas» daquelas que são «as melhores». Isto é especialmente verdadeiro para aqueles que querem seguir e servir a Jesus Cristo através das suas vocações.

O escritor Ray Comfort fala de um homem de idade avançada que tremia enquanto falava, durante um culto, dizendo: «Quando eu era jovem, dediquei-me ao desporto.» Em retrospectiva, ele apercebeu-se de que esta sua actividade anterior — que lhe custara muitas coisas importantes — fora um desperdício de tempo. O homem apelou àqueles que o ouviam, especialmente aos que eram jovens, para que se comprometessem com a melhor coisa: servir a Deus em todas as áreas das suas vidas.

Nas Escrituras, encontramos esta advertência: «Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios.» (Salmos 90:12). E Efésios 5:16 desafia-nos a vivermos «remindo o tempo, porquanto os dias são maus.» Isto não significa que o tempo em si seja mau, mas que não podemos conservá-lo para o usarmos noutro dia. Ele passa, quer queiramos quer não, pelo que devemos usá-lo da melhor forma que pudermos.

Houve alguém que comentou: «Se Satanás não conseguir levar-te a fazer o que é “mau”, ficará perfeitamente satisfeito se dedicares a tua vida simplesmente a fazer o que é “bom”» — isto é, deixando de reconhecer e de procurar fazer o «melhor» possível.

Paul Tripp, outro notável escritor e palestrante, apresenta a sua percepção sobre não confundir as coisas boas com as melhores coisas: «Todas as glórias do mundo físico criado servem um único propósito: recordar-nos da glória de Deus e apontar-nos para ela […] O mundo físico é maravilhosamente glorioso, mas nunca foi concebido para que fosse o nosso destino, da mesma forma que uma placa que aponta para alguma coisa não foi concebida para que fosse o fim da viagem […] As placas não são a coisa: apontam para a coisa.

O mesmo pode dizer-se da criação física: nós não fomos criados para viver para ela; ela foi feita para apontar para aquilo para que fomos feitos para viver, que é Deus e apenas Deus. É muito triste ver uma pessoa que procura o que não pode ser encontrado em algo que não pode conceder o que ela procura. Mas muitas, muitas pessoas fazem isto todos os dias: olham para a glória criada para encontrar o que não pode ser encontrado ali.»

Então, quais são as tais «coisas melhores» em que nos deveríamos focar? Uma delas é crescer em intimidade com Deus e em obediência a Ele, de forma que o Seu carácter transborde para as vidas das outras pessoas. Tal como II Coríntios 5:20 afirma: «De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus.» O que é que poderia ser melhor do que servir e representar o Senhor através das nossas vidas pessoais e profissionais, ajudando outros a conhecê-Lo também?

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“Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios.” Salmos 90:12

Reflexões da Semana é um serviço da ASPEC – Associação de Profissionais e Empresários Cristãos, em colaboração com “CBMC International”. Para mais informações não hesite em contactar-nos.