{ reflexão semanal }

Newsletter nº37/2022

O EXTRAORDINÁRIO PARADOXO DO DESCANSO

por Rick Boxx

No livro de Jordan Raynor «Redimindo o Seu Tempo (Redeeming Your Time)», o autor usa uma história do século XIX para nos encorajar a lembrarmo-nos da importância do descanso sabático. Raynor escreve que, durante a famosa Corrida ao Ouro na Califórnia, alguns dos indivíduos aventureiros que perspectivavam encontrar ouro e tornarem-se ricos instantaneamente viajaram para oeste em direcção à Califórnia, sete dias por semana, sem descanso. Outros, porém, viajaram apenas durante seis dias por semana, parando para descansar a cada «sábado».

Esta diferença nos horários teve, aparentemente, resultados paradoxais que ninguém poderia imaginar. «O Guia dos Emigrantes para a Califórnia», que foi publicado em 1849, constatava: «Se descansar um dia em cada sete, chegará à Califórnia 20 dias antes daqueles que não o fizerem.»

Esta conclusão, de que aqueles que viajavam em carroças cobertas durante apenas seis dos sete dias da semana avançavam mais rapidamente do que os que viajavam sem parar, confirma o que a Bíblia nos ensina sobre separar um dia para descanso e renovação física. Levítico 23:3 diz: «Seis dias obra se fará, mas o sétimo dia será o sábado do descanso, santa convocação; nenhuma obra fareis […]»

Este foi um mandamento dado por Deus ao antigo povo de Israel depois da sua libertação da escravidão no Egipto. Mas estabelecer um dia da semana para descansar é tão relevante hoje como era há muitos anos.

Há um versículo relacionado com este tema que fala sobre a procura de um equilíbrio adequado entre o trabalho e o descanso. Noutro livro do Velho Testamento, é-nos dito: ««Se o machado perder o corte e não for afiado, é preciso muita força; mas a sabedoria é proveitosa para dar prosperidade.» (Eclesiastes 10:10). Uma aplicação deste ensinamento é a de que, se a lâmina do machado não estiver afiada, passa a exigir-se mais esforço e mais tempo para se obter o mesmo resultado.

Diz-se que o Presidente norte-americano Abraham Lincoln terá afirmado: «Se eu tivesse apenas uma hora para derrubar uma árvore, gastaria os primeiros 45 minutos a afiar o machado.» Imagine um homem a golpear freneticamente sem parar, para tentar derrubar uma grande árvore, enquanto outro afia o seu machado para que corte com mais facilidade.

Muitas pessoas no mundo profissional e empresarial trabalham muitas horas, às vezes sete dias por semana, ignorando a sua necessidade de revigoramento pessoal. Tais pessoas ignoram este paradoxo de sermos capazes de fazer mais se trabalharmos menos, separando um tempo para o tão necessário repouso. Não param para «afiar o machado».

Nalguns países, comemora-se o «Dia do Trabalhador», um feriado nacional — dia de descanso — para celebrar os valores e a virtude do trabalho. Em Portugal, como na maior parte dos países, ocorre a 1 de Maio. O trabalho é honrado, mas de forma adequada, com um dia adicional de descanso.

Ao lermos a Bíblia, encontramos muitos ensinamentos sobre a importância do trabalho árduo, que reconhecem que a iniciativa e o empreendedorismo no local de trabalho geram grandes recompensas, tanto financeiras como em termos de prazer e satisfação. Por exemplo, Provérbios 10:4 diz: «O que trabalha com mão preguiçosa empobrece, mas a mão dos diligentes enriquece.» E, em Provérbios 16:26, lemos: «O trabalhador trabalha para si mesmo, porque a sua boca o instiga.»

No entanto, estas passagens não ignoram a importância nem a necessidade do descanso. Até mesmo no relato bíblico da Criação, está escrito: «E, havendo Deus acabado, no dia sétimo, a sua obra que tinha feito, descansou no sétimo dia de toda a sua obra que tinha feito.» (Génesis 2:2).

Partilha esta Reflexão

“O que trabalha com mão preguiçosa empobrece, mas a mão dos diligentes enriquece.” Provérbios 10:4

Reflexões da Semana é um serviço da ASPEC – Associação de Profissionais e Empresários Cristãos, em colaboração com “CBMC International”. Para mais informações não hesite em contactar-nos.