{ reflexão semanal }

Newsletter nº28/2021

Aprendendo a Domesticar um Cão Chamado Ego

por Robert J. Tamasy

Conta-se uma história acerca de uma noite em que o compositor de ópera Giuseppe Verdi apresentou um recital de piano no Scala de Milão, em Itália. Ao terminar a última parte, a plateia, extasiada, pediu mais uma música. Deleitando-se com os aplausos, Verdi escolheu tocar uma composição ruidosa e rebuscada, a qual ele sabia que iria agradar à audiência, embora não fosse uma boa música no sentido artístico.

Quando Verdi terminou a peça adicional, toda a assistência se levantou em peso e deu-lhe novamente uma retumbante aclamação. Ele deliciou-se com os aplausos até avistar o seu mentor, que o tinha acompanhado ao longo de toda a vida, sentado na galeria. O mentor sabia exatamente o que Verdi tinha feito; não se levantou com a plateia nem aplaudiu. Verdi viu na face dele uma expressão agonizante de profundo desapontamento, como se estivesse dizendo: “Verdi, Verdi, como pudeste fazer isso?”

Quando contou esta história, o meu falecido amigo Robert D. Foster chamou-lhe “O vírus de Verdi” – a necessidade de controlar e receber aprovação. O filósofo alemão Friedrich Nietzsche descreveu-a da seguinte forma: “Sempre que subo, sou seguido por um cão chamado ‘Ego’. O ego cresce quando é regado pelo elogio. Anseia por poder e sucesso. E nunca fica satisfeito com a quantidade que obtém dos mesmos.”

O mundo profissional e empresarial alimenta este desejo com a mensagem incessante de que somos apenas tão bons quanto os nossos últimos sucessos. Embora seja muito comum, esta necessidade de aclamação por parte dos outros pode tornar-se tóxica. Como aconteceu com Verdi, ela pode levar-nos a ceder e a fazer coisas que sabemos que irão gerar a reacção desejada, mesmo não sendo as melhores coisas – ou as coisas certas – que devemos fazer. A Bíblia, que descreve a condição humana com uma crua honestidade, oferece muitos exemplos disto.

Jesus Cristo falou deste tema, confrontando frequentemente os líderes religiosos por fingirem ser o que não eram. Um exemplo clássico é relatado em Mateus 23:27-28: “Ai de vós, doutores da lei e fariseus fingidos! São semelhantes a túmulos caiados. Por fora parecem muito bonitos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda a espécie de podridão. Assim são vocês: por fora parecem muito boas pessoas aos olhos dos outros, mas lá por dentro estão cheios de fingimento e maldade.”

O que importa é o que está dentro e não o que está fora.  Ao escolher um novo rei para Israel, Deus não estava procurando alguém que passasse no “teste da aparência”, mas sim alguém que passasse no “teste do coração”. Ele escolheu David, homem que mais tarde foi chamado de “um homem segundo o coração de Deus”. “Mas o Senhor avisou-o: «Não julgues pela sua aparência e pela sua estatura elevada, porque não foi esse que eu escolhi. Eu não julgo pelas aparências como vós julgais. Julgo pelo coração.»” (I Samuel 16:7).

O elogio funciona como um teste de carácter.  Como reagimos quando recebemos elogios? Mergulhamos neles e ansiamos por mais, ou respondemos com humilde gratidão? “O ouro e a prata são provados pelo fogo; o homem é provado pelos que o louvam.” (Provérbios 27:21).

Colocar os outros em primeiro lugar reduz a necessidade de elogios.  O incansável desejo por elogios coloca o nosso foco sobre nós mesmos. Porém, quando nos focamos nos outros, o nosso ego requer menos atenção. Num mundo que diz “Tudo o que importa sou eu!”, é necessária uma decisão consciente para redireccionar a nossa forma de pensar. “Não façam nada por ambição pessoal nem por orgulho, mas, com humildade, considerem os outros superiores a vós próprios. Que ninguém procure apenas o seu interesse, mas também o dos outros.” (Filipenses 2:3-4).

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“Ai de vós, doutores da lei e fariseus fingidos! São semelhantes a túmulos caiados. Por fora parecem muito bonitos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda a espécie de podridão. Assim são vocês: por fora parecem muito boas pessoas aos olhos dos outros, mas lá por dentro estão cheios de fingimento e maldade.” Mateus 23:27-28

Reflexões da Semana é um serviço da ASPEC – Associação de Profissionais e Empresários Cristãos, em colaboração com “CBMC International”. Para mais informações não hesite em contactar-nos.