{ reflexão semanal }

Newsletter nº15/2021

Acções, Consequências e Perdão

por Luis Cervinõ

Na qualidade de homens de negócios, profissionais, executivos e empresários, todos os dias lidamos com empregados. Contratamo-los, descrevemos-lhes as funções e as responsabilidades, e compensamo-los pelo tempo que disponibilizam e pelos seus talentos. Mas quantos deles conhecemos realmente?

Temos currículos que nos contam a respeito da sua instrução e de empregos anteriores. Podemos consultar as suas referências pessoais. E, estando contratados, podemos observar os seus comportamentos — a forma como lidam com as tarefas, como interagem com os colegas e os clientes, e a diligência com que desempenham o trabalho.

No entanto, ainda assim, não podemos ter certeza de que os conhecemos verdadeiramente. Podem aparentar ser leais, mas só numa crise, sob stress ou perante fortes tentações é que o seu verdadeiro carácter é descoberto. O que fazer, quando o empregado que parecia ser tão fiável trai a nossa confiança, mentindo, espalhando falsos rumores, aproveitando-se das outras pessoas, roubando ou até mesmo cometendo fraude? É triste, mas todas estas transgressões acontecem.

É certo que existem regras corporativas ou empresariais a que todos devem obedecer. E, no caso de actividade ilegal ou imoral, têm de se aplicar as leis relevantes. Mas há uma questão ainda maior: como é que devemos reagir, interna e relacionalmente, para com o indivíduo suspeito de ter cometido uma infracção?

Talvez a nossa reacção inicial seja de choque, desilusão e, depois, raiva. Sentimo-nos traídos, vítimas da postura enganosa da outra pessoa. Se formos seguidores de Jesus Cristo, deveremos fazer a famosa pergunta: «Que faria Jesus?» É que, ao lermos nos evangelhos a história do Seu ministério terreno, sabemos que Jesus reagia frequentemente às situações de modo contrário ao que seria de esperar. Quando nos sentirmos irados, precisamos de considerar a advertência bíblica: «Irai-vos, e não pequeis […]» (Efésios 4:26).

Quando uma pessoa violou claramente quaisquer regras ou leis, é necessária a adopção de medidas para disciplinar e punir. Mas também é importante pensar se será possível a redenção, ou seja, se devemos tomar a iniciativa de oferecer perdão. Vemos Jesus ensinar sobre em Mateus 18:21-22, quando o Seu seguidor Pedro perguntou: «Senhor, até quantas vezes pecará o meu irmão contra mim, e eu o perdoarei? Até sete?» Jesus respondeu: «Não te digo que até sete, mas até setenta vezes sete.»

Podemos responder: «Bem, isto aplica-se às relações pessoais. Mas estamos aqui a falar de negócios. Existem regras, padrões e leis que precisam ser defendidos e aplicados. Se eu perdoar o ofensor, nada terá acontecido e ele poderá continuar a prejudicar as pessoas ou as empresas!»

É verdade. As acções erradas têm consequências, sejam elas profissionais, sociais, físicas ou até espirituais. Na maior parte dos casos, a punição deve ser adequada ao crime. Não podemos e não devemos proteger os malfeitores das consequências das suas acções. No entanto, enquanto cristãos que receberam perdão de outras pessoas e, acima de tudo, do nosso Pai que está no Céu, somos chamados a perdoar os outros. Pouco antes da última passagem bíblica citada, Jesus tinha dito: «Ora, se o teu irmão pecar contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste o teu irmão.» (Mateus 18:15).

Aquele que tiver roubado ou destruído precisa de restituir e de ser punido adequadamente, mas, de uma perspectiva espiritual, os seus erros ainda podem ser perdoados. Podemos guardar rancor ou perdoar. Eu escolho perdoar; é mais saudável. Liberta-nos da tensão e da amargura, e permite-nos talvez ganhar o nosso irmão.

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“Ora, se o teu irmão pecar contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste o teu irmão” Mateus 18:15

Reflexões da Semana é um serviço da ASPEC – Associação de Profissionais e Empresários Cristãos, em colaboração com “CBMC International”. Para mais informações não hesite em contactar-nos.