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Tamara Yakovleva
Dra. Tamara Yakovleva, Kiev/Ucrânia, Física, casada, mãe de uma filha adulta.

Entrevista: Uma Visão Torna-se Realidade

Tamara Yakovleva entrevistada por Claude Schmutz

CS: Mrs. Yakovleva, importa-se de, em poucas palavras, se apresentar aos nossos leitores?

TY:Nasci em Mariupol, na Ucrânia. Depois de terminar o liceu, fui para Kiev estudar Física. De momento, estou a trabalhar com metais num instituto de pesquisa. Estou também a concluir a minha tese de doutoramento.

CS: É judia e crê em Jesus Cristo, o que não é muito vulgar na Ucrânia. Como é que tudo aconteceu?

TY: O meu pai é judeu e minha mãe russa. Possuo um passaporte russo. Sempre me considerei russa, uma vez que os laços da minha família com a cultura e as tradições judaicas tornaram-se mais ou menos ténues. Um outro factor foi que, como judia, teria dificuldade em ser admitida na universidade onde queria estudar. Também, certos estereótipos da nossa sociedade e algumas circunstâncias familiares levaram-me a achar que o meu sangue judaico era uma espécie de impedimento genético.
Após a morte do meu pai, aderi a uma comunidade juvenil judaico-messiânica. Andava a tentar descobrir respostas para perguntas como: «De onde venho?», «Estou no lugar certo?», «Para onde vou?» Procurei-as sistematicamente, consultei literatura, sobre religiões orientais e tribais, mas não encontrei resposta. Por fim, comecei a estudar a Bíblia e li-a do primeiro ao último versículo. De repente, as palavras ganharam vida e todas as minhas dúvidas foram respondidas. A minha vida não se alterou de repente. Continuei a enfrentar problemas. Contudo, como a minha vida estava agora concentrada em Cristo, comecei a mudar e por causa disso, com o tempo as circunstâncias que me rodeavam também se alteraram.

CS: É líder de uma iniciativa conjunta da Associação Ucraniana de Empresários Cristãos (UACE) e da Universidade Internacional de Viena. Por favor, fale-nos deste projecto.

TY: Durante algum tempo, a UACE acalentou a esperança de ser capaz de dar formação a empresários cristãos. Quando tomei conhecimento desta organização, tive a oportunidade de desenvolver ainda mais este conceito. Nos dois anos seguintes, reuni informação e muitos documentos; falei com patrocinadores potenciais e pessoas interessadas e dei todos os passos necessários para encontrar uma universidade privada. Há três anos, quando viajava para os Estados Unidos, o director da UACE conheceu o director da Universidade Internacional de Viena, que se ofereceu para nos apresentar a um programa conjunto de formação empresarial. É um programa de três anos, com três sessões por ano. Além da formação profissional, o programa apresenta uma secção sobre «Cristianismo e Negócios», que inclui unidades como «Cristianismo e Finanças», «Mordomia: Gestão Financeira e do Tempo, Serviço», etc.

CS: Posso imaginar que pôr este projecto em pé tem sido um processo longo e difícil. Qual foi a sua experiência?

TY: Aqui, temos de considerar a situação económica da Ucrânia nos anos 90. A maioria das pessoas que viviam na Ucrânia lutava pela sua sobrevivência económica. Tive de arranjar um emprego enquanto continuava a minha pesquisa para poder sobreviver financeiramente. Quando comecei a ler a Bíblia, compreendi a razão pela qual tantos Ucranianos pensavam que ter sucesso no mundo dos negócios é incompatível com a vida cristã. Por isso, era importante mostrar-lhes claramente que Deus não ignora este aspecto das suas vidas. Explorámos oportunidades educacionais baseados em padrões ocidentais. Em especial, visámos a gestão de pequenas e médias empresas, em que as pessoas tinham um conhecimento limitado de inglês e não podiam pagar uma formação académica dispendiosa no estrangeiro. Em Setembro de 2002, lançámos a primeira sessão na Universidade e concluímos a terceira sessão em Maio de 2003. Agradecemos a Deus por termos conseguido levar a cabo mais do que havíamos pensado!

CS: O programa contém um curso chamado «Princípios de Gestão Bíblica», um tema invulgar para uma universidade normal ou uma escola de economia. Qual a reacção dos alunos?

TY: Os alunos com formação cristã disseram que este curso foi muito importante para eles. Para os outros alunos, foi provavelmente a primeira vez que consideraram a possibilidade de a fé cristã e um negócio de sucesso poderem ser compatíveis. O estudo em conjunto constituiu uma boa forma para que ambos os grupos se passassem a conhecer melhor. Entretanto, o segundo grupo de alunos já começou os seus estudos universitários na UACE e tem planos para os alargar no próximo ano. Qual a opinião dos empresários sobre a UACE? Não temos um programa oficial de promoção publicitária. A informação é transmitida de uma forma bastante informal. Os alunos falam no seu local de trabalho e nas suas comunidades. Temos um número crescente de alunos.

CS: Desejamos o melhor para a sua Universidade e queremos agradecer-lhe a entrevista.

 
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