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Os líderes europeus estão a liderar? Versão para imprimir E-mail
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Maureen  EdmondsonPor Maureen Edmondson(1)

Líderes inspiradores são os que, quando a confusão é grande, são inequívocos quanto aos seus valores pessoais e organizacionais e sabem agir em situações pantanosas. Os seus apoiantes sabem que actuarão com consistência, podendo confiar e depender deles.

Concordando ou não com as decisões tomadas nos últimos anos em relação ao Iraque, não podemos deixar de contrastar os diversos estilos de liderança – Chirac, Blair, Hussein, Bush, os generais dos E.U.A. e do R.U. e o espantoso desempenho do antigo Ministro da Informação do Iraque, que, sem hesitação, afirmava, preto no branco, que o regime iraquiano estava prestes a alcançar a vitória!

Os líderes intrigam-nos porque enquanto sociedade precisamos deles. A nossa sociedade é um produto dos líderes que tivemos no passado e o nosso futuro irá depender dos que nos dirigem hoje.

Precisamos de saber:

  • Que tipo de líderes temos?
  • Que tipo de líderes queremos ter?

Líderes filosóficos – líderes do pensamento

Durante o Iluminismo na Europa, pusemos Deus de lado. Contudo, conservámos muito do aparato e das tradições da religião e foi preciso muito tempo para perceber que é impossível manter este estado de coisas. Assim, quando o chanceler alemão comentou que os Estados candidatos à União Europeia devem aderir aos valores da Europa, é muito difícil saber o que quer ele dizer. Uma frágil teia de tratados, de legislação, o legado comunitário e... um emaranhado de história, cultura e tradições. A Europa procura estabelecer uma política cultural que conserve juntos estes órgãos vestigiais e lhes dê alguma vida. Ajudados pelo desenvolvimento fenomenal da compreensão científica do mundo natural e com um quadro mental predisposto a negar o papel de Deus no Seu mundo, lutamos por dar significado e responsabilidade individuais aos que estão predeterminados pela sua genética!

Na Europa, há uma maioria de humanistas seculares de carácter optimista. Apesar de todo o tipo de provas em contrário, de facto acreditamos que estamos a melhorar enquanto sociedade e a avançar no bem-estar moral, social, psicológico e espiritual. Temos de pensar que como as alternativas são impensáveis, nomeadamente o humanismo pessimista, elas levarão a um negro desespero. Tornámo-nos cegos.

Liderança Política

A necessidade costuma aguçar o engenho. Assim, a União Europeia baseia-se no compromisso, no consenso e na tolerância. Os Democratas Cristãos do pós-guerra, que foram responsáveis pela sua criação, reconheceram a necessidade de olhar em frente e não para trás. Referiram-se à mulher de Ló como um fenómeno a evitar. Sabiam que podiam vingar-se da Alemanha ou juntá-la a outros numa parceria política e/ou económica que impusesse um comportamento de iguais. Esquecer, talvez mesmo perdoar de todo, era o caminho a seguir. A punição deixava de ser algo de adequado. Para uns, pode parecer que esta capacidade tão necessária de compromisso desgastou os nossos valores. Para outros parece ter fortalecido a nossa tolerância. Este facto tem exercido uma profunda influência na forma como a Europa encara o debate sobre o Iraque. Vemos o poder da persuasão como muito mais importante que o poder da força. Vemos a necessidade de uma acção multinacional como uma coacção sobre os nossos piores excessos e não como um incómodo.

Maureen Edmondson 

Liderança Científica

A Europa deu uma profunda contribuição para a liderança científica. No mínimo, a pesquisa do genoma humano é fascinante e estimulante com um grande potencial benéfico – curas médicas, medicina preventiva, etc. Contudo, os cientistas comportamentais adiantaram-se e estão a sugerir que o nosso «comportamento» possui também um grande componente geneticamente determinado. No seu novo livro «The Blank Slate: The Modern Denial of Human Nature», publicado por Allen Lane, a 5 de Setembro de 2002, o professor de Psicologia do MIT, Stephen Pinkner, sugere que a humanidade é um «homicida natural». A violência é uma estratégia contrabalançada pelas estratégias contingentes da não-violência. Defende que cerca de 50% do nosso comportamento é determinado pela genética e os restantes predominantemente pelo social. Se Stephen Pinkner estiver certo, como aplicar um sistema legal justo que responsabilize as pessoas quando não forem responsáveis pelo seu comportamento determinado? Se eu não for responsável pelo meu comportamento, é injusto punirem-me.

Liderança Empresarial

A actividade empresarial europeia tem uma folha de serviços extraordinária. Contudo, não estamos livres de escândalos. Hoje em dia, os Conselhos de Administração europeus estão a juntar-se à confusão global. Das estruturas administrativas – o modelo alemão, o modelo norte-americano, o modelo britânico... qual é que conduzirá ao melhor governo empresarial? São intensos e confusos os debates sobre o papel do Presidente, dos Directores não Executivos, do Director Executivo, etc. e a interface entre accionistas e administrações. Derek Higgs escreveu no «The Economist» (25 de Janeiro de 2003) e concluiu que os regulamentos e debates sobre um bom governo não levarão a lado algum porque o «bom governo é motivado mais por um comportamento aceitável que pela estrutura administrativa» (p. 13). Mas o comportamento é determinado pelo carácter. Pode considerar-se o «carácter» um conceito fora de moda, mas está a ser cada vez mais reconhecido como um componente importante de uma liderança eficaz, em particular quando os líderes experimentam uma crescente pressão devido à cada vez maior taxa de mudança, imposições económicas mais apertadas e objectivos laborais mais exigentes. Mas como criar um bom carácter? O que é?

Liderança Eclesiástica

Infelizmente, tem-se perdido a nossa tremenda herança judaico cristã. Perdemos a estrutura básica daquilo que tornou a Europa grande. A fé que inspirou uma verdadeira compreensão do Homem e motivou alguns dos maiores avanços culturais e sociais: medicina, educação, assistência social, realização empresarial e excelência empresarial. A fé que inspirou muitos dos grandes líderes.

E quando as instituições religiosas se transformaram exactamente nisso – instituições preocupadas com a sua própria sobrevivência – os escândalos e as acusações de hipocrisia tornaram-nas incapazes de uma liderança moral. O cristianismo tornou-se o desporto de uma minoria compreendido pelos poucos que o levam a sério. É o «seu domínio», mas é fundamentalmente um «domínio» muito privado com pouquíssima influência na sociedade.

Que tipo de líderes precisamos e queremos?

Se a Europa quer ser grande, se queremos ter uma influência cultural e social positiva no mundo, se a Europa quer enfrentar o escândalo da pobreza, das migrações, da diversidade étnica, precisamos de líderes com coragem, integridade e grande capacidade intelectual que sejam motivados a fazer o que está certo para os seus concidadãos, organizações e países.
Mas que tipo de líderes temos hoje?

Os líderes actuais do mundo – seja na vida académica, empresarial ou político governamental – costumam ser pessoas muito solitárias. Assustados, sujeitos às oscilações das sondagens e do mercado, às expectativas dos accionistas e da família; julgados pelo seu preço e não pelo seu valor real; presos a expectativas financeiras ou políticas que não conseguem controlar; louvados por colegas caluniadores que apenas aguardam que eles caiam e que se apresentam ansiosos por lhes ocupar o lugar; hipócritas que os apunhalam no instante em que o valor das acções oscila; celebridades mediáticas com imagens atraentes, porém, frágeis, passíveis de serem abaladas pelas parangonas de um qualquer matutino. Muitos líderes estão a desenvolver uma mentalidade de «bunker» – são uma minoria desprezada, indignos de confiança, que há muito deixaram de ser respeitados pelo seu sucesso, riqueza ou posição social. «Porcos anafados» é um termo vulgar. Os líderes estão debaixo de um ataque cerrado...

Todos se preocupam com os pobres, os desprezados, os abandonados. O mesmo sucede com estes líderes, mas quem se preocupa com os ricos, os desprezados, os abandonados?

Afirmo que Deus se preocupa.

Os políticos não são desconhecidos para Deus. Seja no gabinete de uma grande instituição governamental, seja de uma grande empresa pública ou privada, o comportamento dos seres humanos em luta pelo sucesso e por uma boa posição não se alterou. Deus deixou claro que lida com esse problema no Seu Livro, para que soubéssemos que Ele não é ingénuo em relação aos carreiristas, às estruturas de poder e ao conflito empresarial ou político.

Veja-se a corte de David: Joabe, o Chefe do Estado Maior das Forças Armadas servira David com dedicação. Talvez um pouco casmurro, mas leal em toda a linha. Ficou do lado de David quando Absalão liderou o golpe de Estado e usurpou o trono. A sua recompensa? David galardoou essa lealdade, substituindo-o por meio de um expediente político. Amasa, sobrinho de Joabe e que comandou as tropas de Absalão contra David ficou com o seu lugar, numa jogada destinada a manter o exército sob as ordens de David. Joabe ficou furioso? Claro que sim. Nada há de mais furioso que um líder que é escarnecido. Na primeira oportunidade, assassinou Amasa (2 Samuel 19, 20)

E que dizer de Daniel? Conivências, assassinatos e invejas eram as palavras de ordem nas cortes de Babilónia. Ser-se bom na função desempenhada era passaporte para o desastre. Não havia tribunal de trabalho que valesse! A Universidade de Babilónia não difere da Universidade europeia hodierna com a sua competição pelo financiamento das pesquisas, progressão na carreira e reconhecimento nos corredores da política. O Conselho de Ministros de Dário, o Medo, não diferia dos conselhos ministeriais do Presidente europeu. «Por causa da sua grande capacidade, o rei planeou colocá-lo responsável por todo o império. Então, os outros administradores e príncipes começaram a procurar (deliberadamente) descobrir alguma falta na forma como Daniel tratava dos seus assuntos (Daniel 6:4). E a rainha Ester teve de ser perspicaz, sábia e corajosa para enfrentar a trama do maldoso, invejoso e ambicioso Haman, que acabou por ser enforcado no próprio cadafalso que preparara (Ester 3-7).

Mas o ambiente da nossa liderança não é hoje mais sofisticado, mais liberal, mais civilizado? Não! Estas histórias do Velho Testamento são muito contemporâneas. Poucos são apunhalados com lâminas afiadas ou enforcados nas forcas públicas, mas muitos são apunhalados no coração com algumas palavras aguçadas bem escolhidas e bem aplicadas pronunciadas nas suas costas por colegas aparentemente leais e muitos são justiçados nos cadafalsos públicos da comunicação social. As suas vidas e famílias são abaladas e despedaçadas pela perda (em geral injustamente) de uma brilhante carreira. O seu talento é desperdiçado e lançado fora. Deus não conhece apenas a maledicência dos gabinetes. Ele abomina-a. Reconhece o poder de guardiães de influência. Coloca-os em função e torna-os responsáveis pelas decisões que tomam e pelo comportamento que manifestam. Fala com firmeza com os líderes através dos profetas do Velho Testamento que condenam um comportamento vulgar nos nossos modernos conselhos de direcção.

  • «Porque não sabem fazer o que é recto» (Amós 3:10).
  • «E estendem a sua língua, como se fosse o seu arco para a mentira» (Jeremias 9:3). Isto não tem um ar familiar?

Vejamos, porém, o que, segundo Amós, Deus quer...

«Quero ver uma poderosa corrente de justiça, um rio que nunca secará». Deus quer líderes que:

«Falem a verdade uns aos outros. Apliquem sentenças nos tribunais que sejam justas e levem à paz. Não maquinem mal uns contra os outros e deixem de jurar falsamente e amem a verdade e a paz».

Como podem os líderes viver deste modo num mundo em que o normal é haver arranjos maquiavélicos? Como conseguiram Daniel, Ester e tantos outros gerir a situação? Temos de ser realistas. Esta é uma luta tremenda, uma tarefa gigantesca. Precisamos de uma cosmovisão radicalmente diferente que:

  • Restaure a dignidade humana e reforce a vida
  • Celebre a criatividade e o talento
  • Explique a dualidade da vida humana grandes realizações e capacidade face a uma maldade terrível
  • Restaure o significado e o valor da vida humana
  • Dê significado ao trabalho, à família e à comunidade
  • Restaure os valores do perdão, da tolerância e do respeito
  • Recorde a nossa responsabilidade para com toda a família humana
  • Que motive os líderes a quererem mudar
  • E lhes dê a capacidade de o conseguirem...

Daniel, Ester, Neemias e Josué puderam viver uma vida assim numa cultura e cosmovisão estranhas porque tinham consciência da sua audiência singular. Sabiam que o seu chefe principal e a pessoa a quem em última análise prestavam contas era Deus; não o rei, os colegas ou os accionistas. Sabendo isso, tinham a liberdade e a coragem de fazer o que estava correcto, independentemente das consequências. Jesus fez o mesmo, mas mais. Não só viveu deste modo, fazendo o bem independentemente da oposição dos detentores do poder dos Seus dias e da inconstância das populações. Pela Sua morte e ressurreição, possibilitou-nos viver como Deus quer que vivamos como líderes levando a sério a nossa responsabilidade moral, preparados para fazer o que é correcto, seja qual for o preço a pagar.

Jesus, o Deus -homem, caminhou segundo a vontade de Deus. Tenho esperança nos líderes porque há líderes que O conheceram e mudaram.

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(1) Maureen Edmondson vive na Irlanda do Norte com o marido, o advogado Doug. Actualmente, é Vice-Presidente europeia do Trinity Forum (www.ttf.org), Directora não executiva no escritório da Irlanda do Norte e membro do Conselho da Universidade do Ulster. Entre 1980 e 2000 trabalhou na Mars Incorporated, sendo responsável pela secção dos Assuntos Científicos Internacionais. É cientista e embora já não esteja no activo, ainda põe em prática os seus conhecimentos de nutrição na cozinha da sua velha quinta nas margens do Strangford Lough.

 
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